E, partindo dali, chegou à sua pátria, e os seus discípulos o seguiram. E, chegando o sábado, começou a ensinar na sinagoga; e muitos, ouvindo-o, se admiravam, dizendo: De onde lhe vêm estas coisas? E que sabedoria é esta que lhe foi dada? E como se fazem tais maravilhas por suas mãos? Não é este o carpinteiro, filho de Maria, e irmão de Tiago, e de José, e de Judas e de Simão? E não estão aqui conosco suas irmãs? E escandalizavam-se nele. E Jesus lhes dizia: Não há profeta sem honra senão na sua pátria, entre os seus parentes, e na sua casa. E não podia fazer ali obras maravilhosas; somente curou alguns poucos enfermos, impondo-lhes as mãos. E estava admirado da incredulidade deles. E percorreu as aldeias vizinhas, ensinando. (Marcos 6:1-6)

FECHADOS PARA A GRAÇA
Jesus com trinta anos deixou Nazaré e depois de um período em que pregou e realizou curas em outros lugares, retornou a sua terra e começou a ensinar na sinagoga. O povo de Nazaré ficou escandalizado com sua sabedoria, pois o conheciam como filho de Maria e José, como o carpinteiro que cresceu no meio deles, em vez de acolherem com fé tais ensinamentos, ficaram escandalizados (cf. Mc 6,2-3). Isto é compreensível porque a familiaridade no plano humano dificulta o ir além e abrir-se à dimensão divina.

Que este filho do carpinteiro José fosse o filho de Deus então, era muito mais difícil ainda de acreditar. Jesus traz como exemplo a experiência dos profetas de Israel, que em sua própria pátria foram objeto de desprezo, e se identifica com eles. Devido a este fechamento espiritual, Jesus pôde realizar poucas curas sobre alguns poucos doentes que creram (Mc 6,5).

SINAL DE AMOR
Os milagres de Cristo não são exibições de sua grandeza, mas sinal do amor de Deus, que atua onde encontra a fé do homem na reciprocidade. Orígenes escreve: Assim como para os corpos há uma atração natural de alguns para com outros, como o imã em relação ao ferro, assim também a fé exerce uma atração sobre a grandeza divina.

A IGNORÂNCIA QUE SURPREENDE ATÉ JESUS
Portanto, parece que Jesus deu sentido à recepção hostil que encontrou em Nazaré. E, no final da história, descobrimos uma observação que diz justamente o contrário. O Evangelista escreve que Jesus “foi surpreendido com a incredulidade deles” (Mc 6,6). Ao espanto de seu povo, que era tão desconfiado, corresponde a maravilha de Jesus. Ele também, de certa forma, se surpreende! Apesar de saber que nenhum profeta é aceito em sua pátria, no entanto, o fechamento do coração do seu povo permanece para Ele obscuro e impenetrável: como é possível que eles não reconheçam a luz da Verdade? Por que não se abrem para a bondade de Deus, que quis compartilhar a nossa humanidade?

A GRANDE REVELAÇÃO
Na verdade, o homem Jesus de Nazaré é a transparência de Deus, nEle, Deus vive plenamente. E enquanto nós procuramos outros sinais, outros prodígios, não nos damos conta de que o verdadeiro sinal é Ele mesmo, Deus feito carne; Ele é o maior milagre do universo: todo o amor de Deus escondido em um coração humano, em uma face humana.

ELA NOS ENSINA
Aquela que verdadeiramente compreendeu esta realidade foi a Virgem Maria, bem-aventurada, porque acreditou (cf. Lc 1,45). Maria não se escandalizou com o seu Filho: a sua surpresa por Ele é cheia de fé, cheia de amor e alegria em vê-lo tão humano e ao mesmo tempo tão divino. Aprendamos então dela, nossa Mãe na fé, a reconhecer na humanidade de Cristo a perfeita revelação de Deus.

por Bento XVI | do SacraMusic

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